E não posso mais jogar
Veio escrito na embalagem
Use e saia pra agitar
Vou com os outros pro abate
O meu dono vai lucrar
Seja cedo ou seja tarde
Quando isso vai mudar?"
Pitty - Brinquedo Torto
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Ás vezes me sinto sem rumo, sem esperança, sem vida, sem ar. Momentos em que não consigo fazer nada, só ficar olhando para o vazio, ouvindo os barulhos, sentindo os cheiros, sem energia pra agir. Momentos estes em que só respiro e não penso em nada (ao menos tento). Não penso, não sinto, não minto. Me esqueço de mim.
Às vezes mergulho no passado, outras vezes no futuro. Não penso, só imagino. A vida é uma imensidão de possibilidades e só um ínfimo delas se concretiza. Mas e o que não se concretiza, pra onde vai?
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Para vc, loba:
ResponderExcluir"Noturno"
Seus cabelos são longos como o véu da madrugada. Eles cobrem algumas partes de sua nudez branca, um marfim bem polido, lascivo que aprisiona a alma selvagem. Os olhos negros revolvem segredos, os ouvidos são escrínios de gemidos masculinos. Uma a uma retira as jóias, esquece algumas sobre o lençol branco e amassado da cama. Um quarto encarnado abriga a dama. Ali colocou – propositalmente - alguns espelhos para que seus avulsos amores se lembrassem que não estavam a sós. Somavam tantos amores e espelhos.
Quando o vento morno da noite quente violentou a janela e rompeu as quebradiças com força, entrou sem licença à alcova, a dama indiferente o permitiu corrompê-la também.
Junto à poltrona com mantas chilenas, ela se abre como a flor–da-meia-noite, se retorce sob a meia luz da lua que a exibi nua. De si volatiza perfumes românticos e tóxicos das fragrâncias noturnas, das proibições morais, o cheiro acre da perfídia. Medo, ódio, melancolia, concupiscência... Letargia. A natureza e os sentimentos fizeram-se um amante ideal, mas corrupto como todos os outros. Cansada após um ápice contorcido, ganindo e apertando o sexo com dedo por ele umedecido, deixa-se numa espécie de meditação. Um gato surge por detrás do biombo decorado com gueixas quase infantis suavemente pintadas de cinza sobre uma imitação de papel velino. O gatinho roça pelas pernas abandonadas da dama, mas ela não reage ao toque macio e sexual do animal. Ele a lambe na tatuagem de fogo e rosas de um dos pés e senti a ausência, por fim aninha-se junto dele. A calma embala o sono dos dois mamíferos caçadores. O silêncio é quebrado pelo ronronar do bichano. A dama por minutos já sonhava...
CHLOE
Espero-te em meu blog...
bjs