quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Olhos brilhantes em um dia ensolarado

Mais um dia comum de trabalho. Uma fábrica inteira imersa em sua insone rotina. Todos, depois de certo tempo, já não tomam consciência de seus afazeres e tornam-se meros autômatos. O trabalho repetitivo consumindo almas e condenando-as ao fracasso pessoal. A esteira espalhando tarefas para todos os lados. Nem mais nem menos que outro dia de trabalho.
De repente, a esteira pára. Não é novidade para ninguém. É normal alguma máquina quebrar ou surgir algum outro problema. As máquinas humanas aproveitam para descansar. O chefe aparece perguntando onde foi que parou. Não sabemos. Afinal, quem se importa? O que nós queremos é aproveitar a folga. Eu me escoro em minha mesa, descanso as mãos. Quem pode, arranja lugar para sentar. Meu colega da frente se apóia na esteira. O vento, como se atendesse a um chamado, sopra em uma janela alta e distante, afasta alguns centímetros de uma cortina cinza e fúnebre e o sol vem nos visitar. Alguns poucos raios de sol para aqueles que acordam antes do dia.
Então, uma bela imagem vem enfeitar meu dia. O sol ilumina os olhos do meu colega, esse mesmo, que se apoiou na esteira e agora perde-se em pensamentos distantes. Não era bonito, nem assim tão feio, mas tinha olhos brilhantes. Sim, eram olhos bonitos. O sol revelando belezas escondidas na escuridão das máquinas. Uma beleza que tristemente voltaria a se esconder em poucos segundos.
Eis que novamente a esteira volta a andar e todos voltam à sua pobre realidade.


Estrela

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