De repente, a esteira pára. Não é novidade para ninguém. É normal alguma máquina quebrar ou surgir algum outro problema. As máquinas humanas aproveitam para descansar. O chefe aparece perguntando onde foi que parou. Não sabemos. Afinal, quem se importa? O que nós queremos é aproveitar a folga. Eu me escoro em minha mesa, descanso as mãos. Quem pode, arranja lugar para sentar. Meu colega da frente se apóia na esteira. O vento, como se atendesse a um chamado, sopra em uma janela alta e distante, afasta alguns centímetros de uma cortina cinza e fúnebre e o sol vem nos visitar. Alguns poucos raios de sol para aqueles que acordam antes do dia.
Então, uma bela imagem vem enfeitar meu dia. O sol ilumina os olhos do meu colega, esse mesmo, que se apoiou na esteira e agora perde-se em pensamentos distantes. Não era bonito, nem assim tão feio, mas tinha olhos brilhantes. Sim, eram olhos bonitos. O sol revelando belezas escondidas na escuridão das máquinas. Uma beleza que tristemente voltaria a se esconder em poucos segundos.
Eis que novamente a esteira volta a andar e todos voltam à sua pobre realidade.
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