I may seem crazy
Or painfully shy
And these scars wouldn't be so hidden
If you would just look me in the eye
I feel alone here and cold here
Though I don't want to die
But the only anesthetic that makes me feel anything kills inside
Plumb - Cut*****************************************************************
Eu era uma menina quieta, sempre estudando, sempre sozinha, no meu quarto. Não me lembro exatamente de quando aquilo começou. Era um barulho seco, vazio, várias batidas repetidas na parede que me assustavam. E por mais que investigasse, não havia causa aparente para aquilo. Era um som com vida própria, não era um som físico. Por vezes, cheguei a pensar que era algo de minha mente, mas era real demais. Aquele barulho sempre me assustou. Aquele barulho me assombrou por toda a adolescência.
Era um barulho cínico, muito estranho, que me perseguia sempre que eu estava sozinha no quarto. No começo não sentia medo. Saía do quarto e ia ao cômodo do lado investigar a causa do barulho. E nunca encontrava nada. Nenhuma janela aberta, nenhum vento, nada. E o barulho mudava de lugar. Ás vezes eu ouvia em dois pontos diferentes ao mesmo tempo. Foi aí que realmente começou a me assustar.
Eu nunca contei a ninguém porque sabia que ninguém nunca me daria uma explicação plausível. Só eu ouvia, mesmo quando mais alguém estava em casa. Dois motivos possíveis: ou era algo da minha mente ou eram espíritos. E sou muito cética quanto aos dois.
A lembrança mais marcante que tenho daquilo foi de uma tarde, quando o barulho começou, como se alguém estivesse batendo na parede atrás da estante de livros. Eu quis fingir que não ouvi, mas ele não parou. Ele começava e parava, repetidas vezes. Eu quis investigar aquilo. Quando começou de novo, olhei para o relógio de pulso e mantive o olhar fixo no relógio, imóvel, assustada, por aproximadamente um minuto e no exato momento em que tirei os olhos do relógio e olhei para onde o barulho parecia vir, o barulho cessou.
Nesse dia percebi que esses eventos estavam diretamente relacionados ao meu medo. Era como se o meu medo alimentasse aquilo, como se alguma coisa estivesse brincando comigo, me acorrentando a dor que eu mesma criava.
Isso durou uns cinco anos. Nesse tempo, sumiu completamente por alguns meses e depois voltou. Depois que me mudei da casa dos meus pais não ouvi mais nada, mesmo estando sozinha em casa. É como se o meu medo morasse lá com eles, porque eu nunca me senti em paz em casa, nunca me senti compreendida e amada o suficiente com minha família.
Nas últimas férias, voltei pra casa dos meus pais e voltei a ouvir o mesmo barulho, mesmo tendo mudado de quarto. E nas duas semanas que fiquei lá, ouvia o barulho todas as noites antes de dormir. Meu monstro havia voltado. Meu medo me esperava debaixo da cama e me arrastou para o terror novamente.Nesse dia percebi que esses eventos estavam diretamente relacionados ao meu medo. Era como se o meu medo alimentasse aquilo, como se alguma coisa estivesse brincando comigo, me acorrentando a dor que eu mesma criava.
Isso durou uns cinco anos. Nesse tempo, sumiu completamente por alguns meses e depois voltou. Depois que me mudei da casa dos meus pais não ouvi mais nada, mesmo estando sozinha em casa. É como se o meu medo morasse lá com eles, porque eu nunca me senti em paz em casa, nunca me senti compreendida e amada o suficiente com minha família.
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